Dia dos Namorados está chegando. No Canadá a data é comemorada em 14 de fevereiro. O Vancouver Para Brasileiros preparou a primeira de uma série de reportagens especiais contando histórias de relacionamentos que tiveram início em viagens de intercâmbio para o Canadá.

A paulista Silvana* de 26 anos chegou em Vancouver em fevereio de 2005. Seu plano inicial era estudar inglês até julho, retornando para o Brasil logo em seguida. No entanto, sua vida mudou completamente no dia 21 de abril, como gosta Silvana de registrar. Por intermédio de uma amiga canadense (e funcionária da escola onde estudava), ela foi convidada para ir a uma festa. Nessa noite Silvana conheceu Robert*, um canadense de 31 anos que trabalha como guia turístico nos parques e estações de esqui de Vancouver.

Mesmo o inglês de Silvana não estando perfeito, eles se entederam muito bem no primeiro e inusitado encontro. A conversa fluia, em parte devido ao fato de Robert entender um pouco de espanhol e português, aprendido com seus clientes latinos. Silvana contou um pouco sobre o Brasil e Robert revelou-se um apaixonado de longa data pela música brasileira.

Para tempeirar um pouco mais a história, Silvana preferiu não dar seu telefone logo de cara. Sua amiga canadense era também amiga de Robert. Assim, Silvana apostava que ele iria pedir seu telefone por intermédio da amiga. Foram “longos” 3 dias – como gosta ela de frisar – até que Robert decidiu ligar em sua homestay. “Ele me convidou para passear num parque de frente para o mar, bem ao estilo inglês de namorar”, diverte-se Silvana.

“Foi amor ao primeiro passeio”, brinca ela. E diversos outros românticos passeios sucederam-se. Com a proximidade do Verão os dias iam ficando cada vez mais longos, o que possibilitava longas caminhadas pelas praias e parques de Vancouver. “Nosso lugar preferido é a praia de Kitsilano e da UBC”, diz a brasileira referindo-se às localidades da região oeste da cidade.

O clima ia esquentando, à medida que Silvana também começava a ficar preocupada: era junho e seu visto de permanência no Canadá iria vencer dentro de dois meses. Seu dinheiro estava também acabando, o que anulava as chances de ficar por mais tempo. “Eu viajei com 14 mil reais, quantia suficiente para estudar e morar por 6 meses”.

Silvana ficou dividida: estava apaixonada mas também sabia que era cedo para pensar em casamento. No começo de setembro, Silvana decidiu voltar para o Brasil. O Verão canadense estava chegando ao fim, sinalizado pelas árvores que começavam a perder suas folhas. “Dizer goodbye para o Robert no aeroporto foi a situação mais difícil em que eu já passei. O coração apertou”, lembra emocionada.

Apesar da tristeza da separação, eles conseguiram conter uma pouco da saudade conversando pela internet com ajuda de uma câmera plugada ao computador. Devido à diferença de fuso, usualmente marcavam encontros por volta das 23 horas no Brasil, correspondente a 19 horas em Vancouver. “Conversar pelo computador foi o remédio encontrado para amenizar nossa dor”, justifica.

No entanto, a tristeza de Silvana iria durar pouco – e ela nem imaginava o que iria ocorrer. Em dezembro Robert comprou – sem Silvana saber – uma passagem para o Brasil. Ele queria fazer uma “big surprise”. Seu plano era chegar de surpresa e pedí-la em casamento. O plano deu certo ou “mission accomplished”, como Robert gosta de dizer.

Hoje eles vivem casados em Vancouver. “Quando esfriar muito a gente vai fugir de férias para o Brasil”, diz  Silvana dando uma piscadinha para Robert. Ele concorda: “Sim querida” – dito com o peculiar sotaque inglês.

*os nomes contidos nessa reportagem são fictícios e foram alterados a pedido dos entrevistados.


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