Reportagem: Guilherme Prezia
Fotos: Melanie Fraude

Resolvi conhecer as ilhas próximas de Vancouver e acabei descobrindo lugares bonitos e surpreendentes. Na minha última viagem fui para Salt Spring, ilha localizada no meio do caminho de barco entre as cidades de Vancouver e Victoria.

A aventura começou num sábado de manhã. Peguei o ônibus número 601, na esquina das ruas Georgia e Howe. Após 40 minutos atravessando Vancouver de Norte a Sul, desci na estação Delta Central e peguei outro ônibus, o 620, que me levou até o terminal dos ferries (Tsawwassen Terminal). Os ferries são os populares barcos que ligam Vancouver às ilhas da província.

Para chegar ao meu destino final foram necessários dois ferries: o primeiro até o terminal de Victoria (Swartz Bay) e o segundo, finalmente, até Salt Spring. Apesar da viagem dupla paga-se somente o valor de uma passagem (CA$ 13).  Para voltar de Salt Spring para Vancouver o ticket é mais barato do que o de ida: CA$ 6,90.

Nota do editor (importante): após a abertura da nova linha de metrô Canada Line, o trajeto para pegar o ferry mudou e ficou mais fácil. Em Downtown, pegue o metrô linha Canada Line – sentido Airport. Desça na estação BRIDGEPORT STN. Na própria estação de metrô pegue o ônibus “620 TSAWW. FERRY VIA LADNER EX”. O ônibus irá seguir até a estação de ferry (barco de transporte público). O trajeto de metrô e ônibus entre Downtown e a estação de ferry dura cerca de 70 minutos.

Navegando

A Tsawwassen Terminal é uma atração à parte. No local há uma praça de alimentação localizada sob a divisa imaginária entre Canadá e Estados Unidos. Olhado-se para o chão vê-se uma linha pontilhada representando a fronteira entre os dois países. Posso brincar dizendo que comprei o café no Canadá e o tomei nos Estados Unidos – sem deixar esfriar.

A viagem de ferry é sempre inesquecível. Fiquei sentado na área externa do barco observando o mar azul, cercado ao fundo por ilhas repletas de florestas nativas. Outra atração é passear por dentro do ferry, que conta com restaurante, cafeteria, fliperama, terminais de internet, televisores de plasma e até poltronas de massagem – acionadas a partir da inserção de moedas.

A ilha

Cheguei em Salt Spring por volta das14h, após cerca de 5 horas divididas entre dois ônibus e dois barcos. Desembarquei em Long Harbour e logo descobri que o local ficava longe de Ganges, onde eu iria me hospedar. Percebi também que não havia transporte público funcionando no final de semana. A solução foi apelar à carona.

Não demorou muito até um simpático canadense de nome Dave resolver quebrar o meu galho. Durante a curta viagem, Dave me atentou para um detalhe que eu jamais imaginaria existir: uma barracas de frutas no acostamento da estrada sem vendedor para receber o pagamento. Segundo Dave, a pessoa escolhe a fruta, coloca na sacola, verifica o preço numa tabela e deposita o valor correspondente num cofrinho de metal. No final do dia, o dono da barraca passa para recolher o dinheiro.

Foram 20 minutos de carona até chegar em Ganges, local que reúne em Salt Spring  os  restaurantes, hotéis, lojas e supermercados da ilha. Eram quase 15h e a fome começou a bater. Resolvi seguir a dica de meu amigo Dave e almoçar no Auntie Pesto Restaurant (www.auntiepestos.com).

Localizado de frente para o mar, o Auntie Pesto é bastante disputado para almoço, com direito à uma constante fila de espera na porta. Escolhi o “The johnny B”, prato com pedaços de carne sobre um pão ciabatta, coberto com um molho vermelho (apimentado, por sinal) e queijo provolone derretido por cima. Uma boa comida por um preço razoável: CA$ 10 + a gorgeta da atenciosa garçonete.

Para economizar tempo e aproveitar as horas que restavam do dia optei em ficar no hotel Salt Spring Inn (www.saltspringinn.com), localizado perto do restaurante. Inaugurado recentemente, o hotel oferece aposentos novos e com vista para o mar. Fiz opção pelo quarto sem banheiro, o que me rendeu uma economia de 30 dólares em relação à suíte regular. Por sugestão do dono do Salt Spring Inn decidi encarar uma trilha que sobe até o topo da montanha Erskine.

Escalada

Muito atencioso, o dono do hotel me deu uma carona até o início da trilha, que começava numa floresta fechada, ao pé da montanha. Em poucos minutos, encontrei outras pessoas no caminho. Uma delas me chamou à atenção por fazer a escalada com seu cachorro na coleira. Após 50 minutos de subida finalmente atingi o cume.

O monte Erskine fica a 440 metros do nível do mar. A paisagem é realmente deslumbrante, uma das mais belas que já vi no Canadá, comparada talvez somente às Montanhas Rochosas, local onde estive em 1997. Fiquei por uns 30 minutos sentado numa pedra apreciando a paisagem e batendo algumas fotos.

Com o folêgo retomado comecei a descida de volta. Novamente no nível do mar percebi que as chances de carona seriam remotas, uma vez que já estava escuro. Resolvi caminhar de volta até hotel, trajeto feito em 1 hora em pleno breu. Acabei jantando no restaurante mexicano Cafe El Zocalo, com boa comida e música ao vivo.

Balada

Salt Spring conta com apenas uma única opção de boate, o Moby’s Marine Pub. A casa fica num local com vista para um pier com iates de luxo. Há uma pequena pista de dança que se limita a tocar os bons e velhos clichês dançantes, como Abba, Bee Gees e Michael Jackson. Mas o que eu gostei mesmo na casa foi da boa cerveja “Salt Spring”, produzida artesanalmente na própria ilha.

Domingo

Voltei para o hotel e dormi com a facilidade de uma criança. Acordei tarde, quase na hora de deixar o quarto. Com mochila pronta fui tomar café na “The Tree House”. O restaurante fica numa casinha bem antiga e possui uma área externa sob uma enorme e frondosa árvore (daí o nome do local). No Verão, entre julho e setembro, a casa oferece shows gratuitos de música. (www.youtube.com/watch?v=3izyk9XVYj8).

Par aproveitar meus últimos momentos na ilha decidi dar uma caminhada pelas lojinhas locais. Descobri outra coisa interessante: Salt Spring tem sua própria moeda, o “Salt Spring Dollar” (www.saltspringdollars.com). Embora o dólar canadense seja também comumente  usado, grande parte do comércio da ilha aceita a moeda local sem hesitação. Segundo explicou-me o dono de uma loja, a moeda ajuda a incentivar o comércio da ilha. Com o “dólar de Salt Spring” pode-se comprar comidas, roupas, pagar restaurantes ou mesmo ainda comprar frutas na beira da estrada